Christopher Vogler cursou cinema na Escola de Cinema e Televisão da Universidade do Sul da Califórnia. Trabalhou para os estúdios Walt Disney no final dos anos 80, uma década que foi, particularmente, ruim para a empresa. Trabalhou também, para os estúdios Fox 2000 Pictures e para a Warner Bross. Foi professor da Escola de Cinema e Televisão da Universidade do Sul da Califórnia, na Divisão e Animação e Artes Digitais e na extensão da UCLA. Atualmente, é roteirista de Hollywood.
O livro A Jornada do Escritor, baseado na obra de Joseph Campbell (O Herói de Mil Faces), é um roteiro que sugere aos escritores possíveis estruturas míticas, para escreverem boas histórias. A necessidade de cada história irá propor quais aspectos da jornada serão utilizados.
O livro pode ser considerado um guia prático, que atende não só aos escritores, mas ao universo humano. Mostra que no fundo somos todos iguais. Temos os mesmos anseios e dúvidas, embora vivendo em culturas e contextos diferentes.
Vogler nos convida a uma viagem pelos caminhos da escrita e pelo mundo literário. Viagem que nos permite perceber o poder universal das histórias, mitos e ficções.
O autor deixa claro que a jornada do herói é flexível. Não deseja impor um modelo rígido e autoritário. Muito pelo contrário, propõe aos escritores que façam suas próprias criações.
A linguagem usada é simples, que permite o perfeito entendimento do conteúdo do livro.
A obra tem uma essência moral, que atinge o psicológico do leitor. Existe uma analogia entre a jornada do herói e o cotidiano das pessoas. Somos gerados no ventre de nossas mães, onde estamos resguardados e protegidos. Quando respiramos pela primeira vez os ares deste mundo, concretizamos um ato heróico. Deixamos o mundo conhecido para encararmos o mundo novo. E assim, se inicia uma longa jornada.
A criança quando tem que abandonar a infância para entrar no mundo adulto, é como tivesse que morrer para nascer de novo. Deixa morrer a personalidade infantil para tornar-se um adulto responsável, com postura independente. E essa é a jornada do herói: abandonar uma condição, encontrar a fonte da vida e chegar a uma condição diferente, mais madura.
A jornada do herói não pode mudar o sistema em que vivemos, mas poderá ajudar na continuidade da vida no mundo, fazendo-nos resistir às exigências impessoais do sistema.
Os mitos nos levam a um nível elevado de consciência. Entramos em outro patamar, praticamente um nirvana. E quando retornamos para o nível normal, mantemos na mente alguns contextos do estágio superior.
Pensar em termos mitológicos auxilia as pessoas a apagar a ansiedade, a ajustar as coisas inevitáveis do cotidiano e perceber valores positivos, dentre os negativos, na natureza de estar vivo.
Concluindo, o livro é uma boa referência para quem gosta de cinema e de leitura. O modelo geral proposto é atraente e funciona como uma ferramenta útil de análise. Com a leitura desta obra, as pessoas podem ter a visão crítica ampliada sobre a literatura e sobre as produções cinematográficas.